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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Sombras


Quando eu cheguei em casa ela me disse que eu estava diferente.
- Esta faltando algo em você. – Ela me dizia, olhando em meus olhos.
Eu não fazia ideia do que era.
Ela cheirou a minha camisa pra saber se era algum perfume, olhou nos meus bolsos pra vê se tinha algum dinheiro, mas não conseguia encontrar.
- Vá em frente, não há nada aqui. – eu dizia.
Subitamente quando eu entrei em meu quarto a luz apagou.
Me perguntei se eu tinha trazido a sombra que habitava em meu trabalho para dentro do meu lar.
- Não traga o trabalho pra casa – Dizia, Meu psicólogo.
Era tarde demais,  as sombras de meu trabalho já estava cobrindo todo o chão do meu quarto e enchiam a sala de escuridão.
- Eu esqueci as luzes do lado de fora. – Disse a Mirian, que estava assustada sentada no sofá sem dizer uma palavra.
As luzes que eu via na rua não vieram comigo, ficaram pra iluminar algo bonito.
Iluminam uma casa charmosa, uma moça linda dançando na chuva, quem sabe até um beijo de um casal apaixonado.
A minha casa, onde eu e Mirian discutíamos horas a fio por qualquer merda que seja, não merecia aquela luz bonita, só merecia a escuridão do meu trabalho, onde eu e dezenas de homens se rastejam no chão olhando pra cada movimento do sol, esperando que ele vá embora e as estrelas do céu iluminem nosso caminho de volta pra casa.
- O que você fez com a luz? – Mirian me perguntou.
Deve ter caído no chão quando eu tropecei nas pedras invisíveis das nossas vidas.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

CURVAS.

Dedos esfriam em corpos quentes.
Coração desacelera e o fluxo corre.
Ela leva minha mão para onde sempre quis estar, mas não agora.
É tudo mecânico.
Nada é espontâneo.
Não é nada pessoal, não é culpa nossa.
Não é sua, nem minha.
Um vento frio, um clima abafado.

Uma curva, onde deveria se acelerar.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mudanças.

Tanta gente que corre, tanta gente parada.
Adultos andam, se rastejam.
Crianças correm, pulam.

Recebi uma denuncia pela conversa fútil, tola.
Fiz uma denuncia sobre um sorriso falso, tolo.
“Como você é cara de pal.” – Ela me disse descendo as ladeiras, com vinho debaixo dos braços.
Depois disso eu falei rápido demais, escutei demais.
“Eu quero mudanças.” Tinha escrito nas paredes da cidade.
“Tenho medo de mudanças.” Escutei uma vez dizer.
Até onde eu vim, eu desejei tudo demais.

Eu quero aquela amizade, aquele amor, aquele corpo, aquela mente, aquela conversa.
Eu quero satisfação, eu quero devorar tudo  sem me sentir vazio.
Sem pensar no vazio.
Ela dizia ser responsável, mas eu queria só sua inocência.
Imaginei quebrando todos os seus relógios pendurados na parede, e disse que queria ser o dono de seu tempo.

Agora se deite e sonhe demais, durma demais.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Expectativas

O mundo esta cheio dela.
E eu estou cheio de mim e dela.
Expectativa é morrer 2 vezes.
Um: por não ter acontecido o esperado.
Dois: por ter dado errado.

Um dose de veneno e você acha que não vai te fazer mal.
A expectativa te traz a pior de todas as ressacas.
A expectativa me faz quebrar todas as minhas promessas.
Me faz consertar todas elas.

Ela é um monstro que destrói tudo e depois conserta outra vez pra ser quebrada.

Fecho olhos, olho pro veneno e decido não toma-lo, prefiro que minha mente entre no transe do vazio.

Não tenho mais perguntas.
Não tenho mais respostas.

Tenho o vazio, o tédio, não tenho nada.

Coma expectativa eu tenho tudo e não tenho nada.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Sede de amor.

Eu tinha bebido o bastante para não me lembrar do que eu tinha feito na noite anterior.
Minha memória eram flashes de luz que pairavam em minha cabeça bêbada.
Eu tinha visto pessoas rapidamente nesses flashes e me perguntava se eu realmente eu as tinha visto ou se tudo era fruto de um sonho.

Acordei com sede de amor devido a bebida, e acordei com sede de água devido a ressaca.

A primeira sede me fez ligar pra todas as pessoas que eu achava desinteressante, mas que me davam uma possibilidade de ama-las nem que seja por um dia.

A segunda sede me fez acordar no meio da madrugada para beber a melhor água do mundo.

O que a noite tinha me arrancado a manhã tinha me devolvido em dobro.

Mandei uma mensagem para Rafaela dizendo que ela era uma flor.

Ela nunca me respondeu.

Gentileza não gera porra alguma.

Presenteie alguém esperando que nunca terás nada em troca.

Depois do almoço eu fui voltando ao normal. Minha sede tinha passado e só restou ressaca.
Tinha faltado o trabalho, tinha ficado doente, e tinha ficado sem sede.
O que me restou foi só cansaço.

Mas assim era o domingo, o domingo era tédio, era pensar demais, era ressaca, era falta de amor.

terça-feira, 5 de março de 2013

Fim.


Fim de noite, fim de expediente.
Era o fim de muitas coisas, afinal.
eu me via cambaleando entre as pessoas naquela noite cinza.
As ruas estavam cheias de pessoas, mas ao mesmo tempo não havia movimento.
As suas almas pareciam que não estavam lá.

O que eu via eram olhos cansados que se esforçam para olhar o próximo ônibus.
Eram todos escravos do relógio.
Escravos da Função soneca e das mensagens dos celulares.

Eram todos como os postes que piscavam, podendo queimar a qualquer momento.
Eu também me sentia como as pessoas e como os postes.

O que faríamos daqui pra frente?
Todos nós sabíamos o que fazer quando chegássemos em nosso destino.
Sabíamos o que fazer quando chegasse o sol em nossa janela, ou quando o alarme tocasse.
Só não sabíamos o que fazer com nossas almas cansadas.

Uma garota comentou comigo sobre o ônibus dela que não chegava.

“O ônibus esta demorando e tenho que acordar cedo para trabalhar amanhã.”- Ela dizia encostada nos bancos da parada com os pés balançando ao vento.

Pensei em perguntar a ela, qual era o sentido da vida.

Mas sei que ela não saberia explicar.

Nem ela, nem eu, nem os postes e nem aqueles olhos cansados.

Só nos restava esperar pelo ônibus e quem sabe um dia queimar, assim como aquelas postes que piscam e que no fundo sabemos que um dia irá apagar para nunca mais voltar a iluminar as ruas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Apreciando


Verônica até que estava bonita naquela farda. E olhe que eu odeio fardas, odeio qualquer coisa que tenha que vestir todos os dias.
As fardas refletem nosso dia. O mesmo tom, a mesma nota, o mesmo vazio.

O que eu gosto mesmo é quando eu vejo alguém surpresa em me vê.

Foi o caso de Verônica. Ela trabalhava em uma livraria.
E eu decidi passar a maior parte do meu intervalo naquela livraria, sentado, apreciando aquele amontoado de livros que eu não teria dinheiro pra comprar, era como um alcoólatra apreciando as bebidas que não poderia beber nada.

“Fazendo o que aqui?” – Ela perguntou.
“O de sempre, apreciando o que não posso ter.” – Respondi.
Eu pedia livro de presentes a Verônica e ela dizia que não dava presentes.
Então a chamei para beber, e ela aceitou.

Queria devorar aqueles livros, queria um livro de presente e queria Verônica.
Lá estava eu apreciando o que não podia ter.